quarta-feira, 26 de junho de 2013

À mestra com carinho

“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer.
A barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer.
Os filhos vão crescendo e o tempo vai dizendo que agora é pra valer.
Os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer.”

“Não quero morrer pois quero ver
Como será que deve ser envelhecer.
Eu quero é viver pra ver qual é
E dizer venha pro que vai acontecer.”
(Arnaldo Antunes)

As palavras para definir o que quero dizer são muitas: pra frente, descolada, moderna, jovem, mente aberta, “o cara” como se diz hoje em dia, “prafrentex” como dizíamos a algumas longas folhinhas. Agora vamos tentar fechar os olhos e imaginar uma pessoa assim. Imaginamos todos, ou a maioria, uma figura com idade cronológica de poucas dezenas.
Aí é onde mora o grande erro nestas definições. Estes adjetivos não se estereotipam, não são atributos restritos aos de pouco anos de vida. Ao contrário, em diversos casos. Isso é próprio do espírito e não da carne. Vem da mente ativa, ávida, não do rostinho inerte sobre o juízo vazio.
Sim, essa é pra você minha querida professora Margarida. Passada a fase em que isso poderia soar como bajulação -sei que você jamais pensaria isso - venho aqui dizer da minha louca admiração por você. Não só como mestra em sala de aula, mas como exemplo de vida, de vivacidade.
Nunca fui lá muito bom com as regras, mas aprendi com você – tô aqui insistindo no você, em lugar do senhora, de cabido mesmo – a maior lição de todas as aprendidas na academia. “E preciso conhecer profundamente as regras para poder quebra-las”.Bingo!
Como vemos caretas fantasiados de descolados, vomitando uma rebeldia contra um regramento que desconhecem quase que por completo. Como é vazio. Despropositado, sem conteúdo.
Mas voltando a Margarida. Que mulher elegante. Uma elegância intelectual sem ser pedante, uma elegância no tratar sem ser pragmática, uma elegância no vestir sem ser modista, uma elegância no ensinar sem ser piegas.
Abstraindo todos as suas titulações acadêmicas,  que não são poucas, você merece a maior de todas: a de ser chamada de Professora. Não daquelas de quadro e giz, mas daquelas de suor e lágrima, professora de vida, de conhecimento não só acadêmico, mas humano, daquelas que se orgulham, em cada fim de aula, da mágica que é ter aprendido ao ensinar, professora de sonhos, semeadora de realizações.
“Se todos fossem iguais a você, que maravilha viver!” canta em versos o poeta Jobim. E se assim fosse, que maravilha seria a nossa educação, que maravilha seria o futuro da nossa juventude, que maravilha seria viver neste país Margarido.
Agradeço a Deus por ter tido a oportunidade de aprender com você, e quem sabe tenha Ele me dado a honra de deixar em você algum sinal da minha passagem pela sua vida acadêmica. E por fim que Ele lhe dê forças para continuar exalando essa juventude, essa modernidade, essa rebeldia abalizada, essa elegância de viver por onde você passa.
Um grande beijo no coração e outro na testa pra ver se por osmose ganho algum conhecimento.

“Tempo Rei! Oh! Tempo rei,
Transformai as velhas formas do viver.
Me ensinai, oh! Pai, o que eu ainda não sei.
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei!

(Gilbero Gil)

Um comentário:

  1. Lindo! muito lindo!
    Ela merece tudo isso porque ela é desse jeitinho mesmo encantadora, se preocupa com os seus alunos, pois acredita que somos realmente um futuro melhor para o nosso país e nos ensina como se fossemos todos filhos nos educando para que lá na frente possa sentir orgulho de nós em saber que o melhor que somos parte desses conhecimentos foram passados por ela.

    ResponderExcluir